Aceleração comercial

Como saber se a aceleração comercial está funcionando: os indicadores certos pra acompanhar

Toda vez que fecho um contrato de aceleração comercial, sei que em algum momento — geralmente lá pela sexta ou sétima semana — o cliente vai me perguntar, de um jeito ou de outro, "isso está funcionando mesmo?". É uma pergunta justa. O problema é que a maioria das empresas não tem como responder essa pergunta com números, só com sensação. E sensação de gestor sobe e desce com o humor do time, com uma venda grande que fechou na sexta ou com um mês fraco de faturamento que não tem nada a ver com o processo comercial em si.

Eu divido os indicadores em dois grupos, e essa separação resolve boa parte da ansiedade de quem está acompanhando de fora. O primeiro grupo são os indicadores de processo — coisas que se movem nas primeiras três, quatro semanas, porque dependem de comportamento, não de mercado. Tempo de resposta ao lead, percentual de reuniões que realmente acontecem depois de agendadas, adesão do time ao CRM, quantas oportunidades têm próximo passo registrado. Se esses números não melhoram logo no início, é sinal de alerta antes mesmo de olhar pra faturamento. O segundo grupo são os indicadores de resultado — taxa de conversão de proposta pra venda, ticket médio, ciclo de vendas, receita por vendedor. Esses demoram mais pra reagir, porque dependem do primeiro grupo ter mudado e do funil ter tempo de girar.

O erro que mais vejo é o cliente olhar só pro segundo grupo e, quando não vê o faturamento subir na terceira semana, concluir que não está funcionando. Ou pior: olhar só pro primeiro grupo, ver o time mais organizado, mais reuniões acontecendo, CRM em dia, e achar que já é sucesso — sem checar se isso está de fato virando venda. Atividade não é resultado. Já vi time com agenda lotada de reunião e taxa de fechamento capenga, porque as reuniões estavam sendo marcadas com gente errada. O indicador de atividade só serve se estiver puxando o de resultado atrás dele.

Outro ponto que eu insisto muito no começo de qualquer contrato: sem linha de base não dá pra medir progresso nenhum. Eu peço pra puxar os números dos três meses anteriores ao início do trabalho — taxa de conversão, ciclo médio, ticket médio, CAC se a empresa tiver isso organizado — antes de mexer em qualquer processo. Cliente que começa a acompanhar aceleração comercial sem saber de onde estava saindo vai discutir opinião comigo daqui a dois meses, em vez de discutir número. E número resolve a conversa em cinco minutos.

E tem o indicador que interessa de verdade pra quem está pagando a conta, que é o retorno financeiro líquido do que mudou. Não adianta a taxa de conversão subir dois pontos percentuais se isso não se traduz em receita incremental que pague o investimento e sobre alguma coisa. Eu calculo isso de um jeito simples: pego a receita que o time gerou no período do contrato, comparo com a projeção que ele teria gerado mantendo os números da linha de base, e a diferença é o que a aceleração trouxe de fato. Divide esse valor pelo custo do contrato e você tem o retorno real, não a sensação de retorno. Quando esse número é positivo e crescente mês a mês, a resposta pra "está funcionando?" já não precisa de opinião nenhuma.

No fim, o que separa um cliente que acompanha bem de um que fica na dúvida o tempo todo não é o tamanho da empresa nem a complexidade do produto — é ter definido, antes de começar, quais desses números ele ia olhar e com que frequência. Eu sempre recomendo revisão quinzenal dos indicadores de processo e mensal dos indicadores de resultado, porque cobrar resultado final toda semana só gera ansiedade e decisão precipitada. Quando o cliente tem essa régua clara, a conversa muda de figura: em vez de perguntar se está funcionando, ele já sabe — e a gente só ajusta o que precisa ajustar.

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